Produzida por Guilherme Maia, o DJ M4IA, a faixa ultrapassou 1 bilhão de reproduções e virou trilha sonora de torcedores em todo o país.
Enquanto gravadoras e artistas consagrados investiam pesado para emplacar a música oficial da Copa do Mundo de 2026, o maior fenômeno musical do torneio surgiu de um lugar improvável: um pequeno estúdio em Uberlândia, no interior de Minas Gerais. A faixa “Brasil com S”, criada pelo publicitário Guilherme Maia, conhecido nas redes como DJ M4IA, já ultrapassou a marca de 1 bilhão de reproduções somando streaming e uso em vídeos virais. O caso chama atenção não apenas pelo alcance, mas pela forma como foi produzido: inteiramente com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial. A seguir, entenda como a música nasceu, por que ela conquistou tanta gente em tão pouco tempo e o que vem pela frente na carreira do produtor mineiro.
O processo de criação com inteligência artificial
A ideia surgiu quando Maia observou o sucesso de faixas do gênero phonk, subgênero do hip-hop que domina boa parte dos vídeos virais da internet, e decidiu criar uma versão brasileira inspirada em uma música francesa que já fazia sucesso entre torcedores. Na época da convocação, uma música francesa estava explodindo e ele pensou em fazer uma versão brasileira. Para evitar uma cópia direta, ele optou por incorporar elementos do funk brasileiro, ritmo já consagrado em vídeos de futebol espalhados pelo TikTok e pelo Instagram. Metrópoles
Para estruturar a letra, que cita nomes de jogadores da Seleção Brasileira como Vini Jr., Raphinha e Alisson, o produtor recorreu ao Gemini, ferramenta de inteligência artificial do Google, para ajustar a métrica das palavras ao ritmo da música. O processo, no entanto, está longe de ter sido simples ou automático. A inteligência artificial às vezes errava o ritmo, e foi preciso refazer a música cerca de 15 vezes até chegar ao resultado esperado, relatou o DJ em entrevista. Lançada em 19 de março deste ano, a faixa começou a ganhar tração gradualmente, até decolar de forma definitiva conforme a Copa do Mundo se aproximava e os vídeos de torcedores tomaram conta das redes. Diariodoestadogo
Por que a música conquistou públicos tão diferentes
Um dos fatores que explicam o alcance de “Brasil com S” é justamente a simplicidade da fórmula escolhida. O refrão funciona no modelo de chamada e resposta, recurso comum em cantos de torcida, o que facilita a repetição e o engajamento em vídeos curtos. Essa estrutura, somada a uma batida cadenciada e fácil de memorizar, transformou a faixa em trilha sonora de comemorações de gol, desafios de dança e até vídeos de preparação para assistir aos jogos do Brasil.
O alcance da música atravessou gerações e públicos completamente distintos, da filha do jogador Neymar dançando ao som da faixa até grupos de idosos em asilos reproduzindo a coreografia. Essa amplitude de público é um dos sinais mais claros de que o conteúdo conseguiu romper a bolha tradicional do gênero phonk e se transformar em fenômeno cultural mais amplo. Antes do sucesso, Maia tinha pouco menos de 50 mil seguidores no Instagram e nem de longe fazia parte do circuito conhecido da música eletrônica brasileira, o que reforça o caráter inesperado dessa ascensão.
O futuro da carreira de DJ M4IA após o sucesso
A repercussão da faixa abriu portas que dificilmente estariam ao alcance de um produtor independente em outras circunstâncias. Guilherme Maia assinou contrato com a Spinnin’ Records, gravadora holandesa de referência na cena eletrônica mundial, consolidando uma virada de carreira que começou de forma caseira e ganhou proporções internacionais. A partir do sucesso, ele desenvolveu um projeto ainda maior: um álbum com 17 faixas inspiradas em diferentes seleções participantes da Copa, incluindo Argentina, Espanha e Inglaterra, todas produzidas com apoio de inteligência artificial.
O caso de “Brasil com S” também reacendeu debates sobre autoria e criatividade em produções musicais feitas com IA, com parte do público questionando se esse tipo de obra pode ser considerada criação artística legítima. Para Maia, a tecnologia atua apenas como ferramenta de apoio, já que cabe sempre a uma pessoa direcionar as ideias, ajustar o resultado e tomar as decisões finais sobre o que entra ou sai da faixa. Independentemente da polêmica, o sucesso comercial e de audiência da música já está consolidado, e o produtor mineiro segue colhendo os frutos de um trabalho que começou como experimento pessoal.
A trajetória de DJ M4IA ilustra um movimento maior dentro da música popular: o acesso cada vez mais democratizado a ferramentas de produção que antes exigiam estúdios caros e equipes especializadas. Um publicitário de 31 anos, sem grande estrutura por trás, conseguiu criar o hit mais ouvido da Copa do Mundo de 2026 a partir de testes feitos em casa. Esse tipo de história tende a se repetir conforme as ferramentas de inteligência artificial se tornam mais acessíveis a criadores independentes, ampliando as possibilidades de quem busca espaço na indústria musical sem depender necessariamente dos canais tradicionais do mercado.
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Fontes: Estado de Minas, https://www.em.com.br/cultura/2026/06/7447885-brasil-com-s-musica-viral-da-copa-foi-criada-por-ia-por-dj-de-uberlandia.html; Metrópoles, https://www.metropoles.com/minas-gerais/mineiro-usou-ia-para-criar-hit-viral-da-copa-que-chegou-ao-neymar


