Educação de jovens e adultos: desafios, avanços e o papel do Novo Ensino Médio na formação brasileira

Por Diego Rodríguez Velázquez

A Educação de Jovens e Adultos é uma das modalidades mais importantes e, ao mesmo tempo, mais negligenciadas do sistema educacional brasileiro. Sérgio Bento de Araújo, empresário especialista em educação, compreende que garantir o acesso à educação básica para quem não concluiu os estudos na idade regular é uma questão de cidadania e de desenvolvimento social. Neste artigo, você vai entender os principais desafios enfrentados pelo EJA no Brasil, como o Novo Ensino Médio se relaciona com essa realidade e quais caminhos podem tornar a formação mais inclusiva e eficaz para todos. Leia até o final e reflita sobre o papel que cada um de nós tem nessa transformação.

Por que a educação de jovens e adultos ainda é um desafio no Brasil?

O Brasil ainda carrega um passivo educacional significativo. Milhões de brasileiros com mais de 15 anos não concluíram o ensino fundamental ou o ensino médio, o que limita diretamente suas oportunidades no mercado de trabalho e compromete sua autonomia social. O EJA existe justamente para oferecer uma segunda chance a essas pessoas, mas a modalidade enfrenta problemas estruturais que vão desde a falta de materiais didáticos adequados à realidade adulta até a ausência de políticas de permanência que combatam a evasão escolar.

Conforme destaca Sérgio Bento de Araújo, um dos grandes equívocos na abordagem do EJA é tratar o estudante adulto como se fosse uma versão mais velha do aluno do ensino regular. O jovem ou adulto que retorna à escola carrega experiências de vida, responsabilidades familiares e profissionais que precisam ser reconhecidas e integradas ao processo pedagógico. Uma educação que ignora esse contexto tende a ser pouco significativa e, consequentemente, pouco eficaz na retenção desses estudantes.

Além disso, a oferta do EJA ainda é bastante desigual entre as regiões brasileiras. Estados do Norte e Nordeste concentram o maior número de adultos sem escolaridade completa, mas muitas vezes dispõem de menos recursos e infraestrutura para atender a essa demanda. Ampliar e qualificar a oferta do EJA nessas regiões é uma das ações mais urgentes para a redução das desigualdades educacionais no país.

O ensino a distância pode ser a solução para ampliar o alcance do EJA?

O ensino a distância representa uma das ferramentas mais promissoras para a expansão do EJA no Brasil. A flexibilidade de horários, a eliminação das barreiras geográficas e a possibilidade de conciliar estudos com trabalho e família tornam o modelo EaD especialmente adequado para o perfil do estudante adulto. Plataformas digitais bem estruturadas, com conteúdo adaptado e suporte pedagógico ativo, podem transformar a experiência de aprendizagem e reduzir significativamente as taxas de evasão.

Sérgio Bento de Araújo
Sérgio Bento de Araújo

Segundo Sérgio Bento de Araújo, o ensino a distância no EJA só alcança seu potencial quando é acompanhado de uma rede de apoio presencial. Polos de atendimento bem estruturados, tutores capacitados e uma comunidade de aprendizagem ativa fazem toda a diferença para que o estudante não se sinta isolado ao longo do processo. A tecnologia é um meio, não um fim em si mesma, e precisa estar a serviço de uma proposta pedagógica humanizada.

É fundamental, portanto, que as políticas de expansão do EJA via ensino a distância levem em conta a realidade de conectividade do país. Regiões sem acesso à internet de qualidade precisam de soluções híbridas que combinam recursos digitais com materiais impressos e momentos presenciais. A inclusão digital é, nesse contexto, uma condição para a inclusão educacional.

Como o Novo Ensino Médio se conecta à realidade da educação básica e do EJA?

O Novo Ensino Médio trouxe mudanças profundas na estrutura curricular da última etapa da educação básica, com a introdução dos itinerários formativos e uma maior flexibilidade na construção do percurso de cada estudante. A proposta tem potencial para tornar o ensino médio mais relevante e conectado às expectativas dos jovens, mas sua implementação exige uma infraestrutura que muitas escolas, especialmente as públicas, ainda não possuem de forma plena.

De acordo com Sérgio Bento de Araújo, a discussão sobre o Novo Ensino Médio não pode ser desconectada da realidade do EJA e da educação básica como um todo. Estudantes que chegam ao ensino médio com lacunas de aprendizagem nos anos iniciais têm dificuldades redobradas para aproveitar os benefícios dos itinerários formativos. Portanto, fortalecer a base, desde a alfabetização até os anos finais do ensino fundamental, é uma condição indispensável para que qualquer reforma no ensino médio produza resultados duradouros.

A Base Nacional Comum Curricular, que orienta tanto o ensino regular quanto as diretrizes do EJA, estabelece aprendizagens essenciais que todo estudante brasileiro tem direito de desenvolver. Garantir que essas aprendizagens sejam de fato alcançadas, independentemente da modalidade ou do contexto socioeconômico do aluno, é o verdadeiro desafio que o sistema educacional brasileiro precisa enfrentar com coragem e consistência.

A educação de jovens e adultos como compromisso social inadiável

A Educação de Jovens e Adultos não é apenas uma modalidade de ensino: é um compromisso ético com aqueles que o sistema educacional deixou para trás. Como reforça Sérgio Bento de Araújo, investir no EJA é reconhecer que nunca é tarde para aprender e que o Estado tem a obrigação de oferecer condições reais para que isso aconteça. O Novo Ensino Médio, o ensino a distância e as novas tecnologias são instrumentos valiosos nesse percurso, mas o que verdadeiramente move a educação é o compromisso com cada pessoa que decide, apesar de todas as dificuldades, retomar o caminho do conhecimento.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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