Golpe do ‘morango do amor’: criminosos criam perfis nas redes sociais com promoções falsas do doce no RS

Por Diego Rodríguez Velázquez

O ambiente digital, cada vez mais presente na vida cotidiana, tem sido palco para novas formas de crimes que afetam consumidores desavisados. Recentemente, no Rio Grande do Sul, uma prática envolvendo o uso de perfis falsos para vender doces populares ganhou destaque e despertou atenção das autoridades. As vítimas são atraídas por supostas promoções que circulam nas redes sociais com imagens tentadoras e preços abaixo do normal. O problema é que essas ofertas não existem, e o dinheiro pago desaparece assim que a transação é feita.

Esses golpes, embora aparentemente inofensivos, estão inseridos em uma estratégia bem articulada por criminosos que copiam conteúdos de lojas reais e enganam os usuários ao reproduzir fielmente a identidade visual dos estabelecimentos. A escolha de produtos populares como doces e quitutes artesanais é pensada justamente para provocar o impulso na decisão de compra. A sensação de urgência gerada por ofertas limitadas também faz com que as vítimas se precipitem, caindo em armadilhas digitais sem checar a veracidade da loja.

A Polícia Civil tem reforçado campanhas de conscientização para que os cidadãos fiquem atentos aos perfis comerciais que surgem em plataformas como Instagram e Facebook. Muitos dos golpes seguem um mesmo padrão: anúncios com imagens bem elaboradas, depoimentos forjados de clientes e promessas de entrega rápida. Quando o pagamento é efetuado, o contato com o suposto vendedor desaparece. Em muitos casos, os números de telefone são descartáveis e os perfis deletados rapidamente.

O crescimento desse tipo de golpe preocupa porque utiliza recursos tecnológicos para explorar a confiança das pessoas em pequenas empresas locais. Os criminosos exploram o desejo de apoiar empreendedores da região e se aproveitam da ausência de checagem por parte dos consumidores. Esse contexto favorece a proliferação de fraudes e dificulta a responsabilização dos golpistas, que muitas vezes atuam com identidades falsas e de difícil rastreio.

Além do prejuízo financeiro, há o impacto emocional nas vítimas, que se sentem enganadas e frustradas. Algumas pessoas relatam sentimentos de vergonha e hesitam em denunciar, o que contribui para a impunidade. Por isso, o trabalho das autoridades também se concentra em criar um ambiente seguro para que os crimes sejam reportados sem receio. A denúncia rápida pode impedir novas fraudes e ajudar na identificação de padrões utilizados pelos criminosos.

É essencial desenvolver o hábito de desconfiar de ofertas que pareçam boas demais, especialmente quando envolvem o envio antecipado de valores via PIX ou outras formas de pagamento instantâneo. Os perfis falsos podem ser muito convincentes, mas sinais como a ausência de site oficial, erros de português ou insistência para pagamento rápido devem acender um alerta. Evitar agir por impulso é uma das formas mais eficazes de não cair nesse tipo de golpe.

Com o aumento das vendas virtuais, é importante adotar medidas simples que fazem diferença na hora de comprar online. Procurar por avaliações, verificar a data de criação do perfil e buscar o nome da loja no Reclame Aqui ou em grupos de consumidores pode ajudar a evitar fraudes. A checagem rápida, que leva apenas alguns minutos, é capaz de evitar dores de cabeça e prejuízos que muitas vezes não são recuperáveis.

Diante da sofisticação dos golpes, é fundamental que a população mantenha um olhar crítico diante das redes sociais. Embora a tecnologia ofereça praticidade e acesso rápido a produtos e serviços, também exige responsabilidade e atenção redobrada. O cuidado com cada clique pode fazer a diferença entre uma compra satisfatória e um golpe difícil de reverter. O alerta está dado e a prevenção ainda é a melhor forma de se proteger no ambiente digital.

Autor : Anton Morozov

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