O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, esclarece que a terminalidade ainda é um dos temas mais evitados nas conversas sobre saúde do idoso. Esse silêncio tem um custo alto: decisões precipitadas, sofrimento evitável e a sensação de que algo importante ficou por dizer. Falar sobre terminalidade com antecedência é um ato de respeito e de amor pelo idoso.
Neste artigo, você vai entender por que essa conversa é necessária, como a geriatria a conduz e como as famílias podem se preparar para ela. Acompanhe com abertura.
Por que evitar a conversa sobre terminalidade prejudica o idoso?
À medida que ninguém fala sobre o fim da vida, as decisões que precisam ser tomadas nesse momento chegam de forma abrupta e desorientadora. De forma que famílias sem orientação prévia frequentemente recorrem a intervenções médicas intensivas que o próprio idoso não desejaria, gerando sofrimento desnecessário. Esse cenário é, em grande parte, evitável com diálogo antecipado e planejado entre médico, paciente e família.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, a geriatria tem responsabilidade específica de iniciar essas conversas. Não porque a morte esteja próxima, mas porque saber o que o idoso valoriza e o que recusa em termos de intervenção médica permite que todo o cuidado subsequente seja orientado por seus próprios valores. Essa clareza alivia o peso das decisões difíceis e garante que o idoso seja respeitado até o fim.
A conversa sobre terminalidade também tem efeito terapêutico sobre o próprio idoso. No momento em que ele percebe que pode falar sobre a morte sem assustar a família, sem gerar drama e sem ser ignorado, uma tensão existencial que muitas vezes se manifesta como ansiedade e insônia pode se dissipar de forma significativa e duradoura.
Como a geriatria conduz conversas sobre o fim da vida?
A abordagem geriátrica da terminalidade é gradual, respeitosa e centrada nos valores do paciente. Visto que ela começa por perguntas abertas sobre o que o idoso considera qualidade de vida, o que mais teme e o que mais valoriza. Essas respostas formam a base de um plano de cuidado que honra a identidade do paciente, independentemente do que o futuro traga.

De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, as diretivas antecipadas de vontade são ferramentas valiosas nesse processo. Dado que elas permitem ao idoso registrar formalmente suas preferências sobre cuidados médicos em situações de incapacidade futura, garantindo que sua voz seja ouvida mesmo quando não puder mais se expressar diretamente. A presença de advogados voluntários no Humaniza Sertão facilita o acesso a esse instrumento para populações que, de outra forma, nunca o conheceriam.
Como as famílias podem iniciar essa conversa em casa?
Iniciar a conversa sobre terminalidade em casa não exige um momento especial ou um roteiro elaborado. Muitas vezes, ela surge naturalmente a partir de eventos cotidianos, como a morte de um conhecido ou uma notícia sobre saúde. O importante é acolher esses momentos com abertura, sem mudar de assunto e sem minimizar o que o idoso está expressando.
Conforme destaca o doutor Yuri Silva Portela, ouvir sem julgamento é a habilidade mais importante nessa conversa. Sendo assim, perguntar ao idoso o que ele deseja, o que o preocupa e como gostaria de ser cuidado no futuro cria um espaço de confiança que fortalece o vínculo familiar e produz clareza que beneficia todos quando as decisões mais difíceis precisam ser tomadas.
Falar sobre o fim da vida é um ato de amor
Conversar sobre terminalidade não antecipa a morte. Ela prepara a família para honrar a vida do idoso até o último momento, com respeito pelos seus valores e com a dignidade que ele merece.
O doutor Yuri Silva Portela reforça que essa é uma das conversas mais importantes que uma família pode ter. Não espere que a urgência force o diálogo. Comece agora, com calma, com amor e com a certeza de que ouvir o idoso é a forma mais profunda de cuidar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


